Terça-feira, 12 de Dezembro de 2017 -
ARGUMENTAÇÕES

Secretária volta a defender cortes de árvores e promete avisar comunidades sobre futuras ações mais impactantes

Priscila Braga participou de reunião na Câmara de Vereadores na tarde desta quinta-feira, 7 de dezembro, e escutou reclamações de moradores dos bairros Centro e Pará
07/12/2017 17h08
Rodrigo Andrade
RODRIGO ANDRADE/DEFATO
Moradora do Centro, Maria Marta (de pé) criticou cortes de árvores e foi respondida pela secretária Priscila Braga (e)

A secretária municipal de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Priscila Braga Martins da Costa, participou nesta quinta-feira, 7 de dezembro, da reunião das comissões temáticas da Câmara de Vereadores. A representante do Executivo esteve na Casa por solicitação do oposicionista Weverton Vetão (PSB) e falou sobre os cortes de árvores nos bairros Pará e Centro, ocorridos em outubro, que despertaram revolta nos moradores (leia aqui e aqui).

Como já havia afirmado inclusive em entrevista a DeFato Online, a secretária respondeu novamente que o corte das árvores atendeu critérios de segurança. Ela argumentou que todos os laudos foram assinados por engenheiros florestais e técnicos agrícolas da pasta de Meio Ambiente. “Não houve qualquer ilegalidade. Hoje a secretaria é muito capacitada tecnicamente, com servidores de carreira especialistas. Toda ação foi devidamente respaldada”, afirmou Priscila.

De acordo com a secretária, o critério segurança tem dois sentidos. O primeiro é a segurança dos usuários da via pública, por causa do risco de queda das árvores. O segundo está ligado a pedidos da Polícia Militar para deixar mais “limpas” áreas públicas para ajudar no combate à criminalidade. “A área próxima ao Cemitério do Cruzeiro era uma dessas áreas indicadas pela polícia”, comentou.


Priscila Braga esteve na Câmara de Vereadores durante reunião de comissões                                           Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Reclamações

Durante a reunião, a secretária ouviu críticas de moradores. A mais incisiva veio de Maria Marta Quintão Martins da Costa, que tem uma casa em uma das áreas mais verdes da avenida Martins da Costa. Ela classificou como “extermínio” a ação da Secretaria de Meio Ambiente e reclamou da falta de transparência do poder público.

“O privilégio de morar ao lado de uma área verde se transformou em tormento”, criticou a moradora, que seguiu em discurso firme contra os cortes: “Dizimaram a área verde sem a devida transparência do que seria feito. Eu preferiria ser parceira, atuar junto à Prefeitura nos projetos. Eu conheço a vizinhança, conheço as questões ambientais. Poderíamos ter conversado antes. Mas preferiram de outra maneira”.

Outra moradora, a aposentada Sônia Mendonça, também criticou a falta de informações. Ela disse que enviou questionamentos à Secretaria de Meio Ambiente via Lei de Acesso à Informação e não foi respondida. Também reclamou que ao ligar para o setor cai em um “jogo de empurra” e nunca tem as demandas resolvidas. “Quero saber quem é o responsável. Não é possível que não consigamos nenhuma resposta”, queixou-se.

Presidente da associação do bairro Centro (Amacentro), Antônio Deusdet pediu à secretária maior aproximação do governo municipal com os líderes comunitários. Ele defendeu que polêmicas como a debatida na Câmara nesta quinta-feira poderiam ser evitadas com esse diálogo mais direto.


Priscila e Vetão travaram debate durante a reunião de comissão                                                                      Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Mais proximidade

Priscila Braga ouviu as reclamações e se comprometeu a ter relacionamento mais próximo com as comunidades, especialmente quando se tratar de ações de grandes impactos. Ela também fez compromisso com a moradora Sónia Magalhães de responder os questionamentos enviados à secretaria. Por fim, comentou que também recebeu uma manifestação do Ministério Público e dará o retorno na próxima semana.

Insatisfeito

Apesar do posicionamento da secretária, o vereador Weverton Vetão não se mostrou satisfeito. Ele reclamou de não ter seus ofícios atendidos e disse que isso só acontece porque não integra a base governista. O parlamentar também não gostou da orientação dada a ele por Priscila Braga, de que direcione seus questionamentos à Secretaria de Governo.

“As ações precisam ser mais transparentes. Fui eleito pelo povo para ser representante na Câmara e tem que haver respeito. Não pode o governo ficar selecionando para quem dá informação e para quem não dá”, reclamou.

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